Bela Balassa fez uma contribuição importante para o
entendimento da teoria da integração econômica, dos seus efeitos e de suas
etapas. Para alguns autores a mera existência de relações de troca entre as
nações já é um sinal de integração. De acordo com Balassa, a integração
econômica seria a abolição das restrições aos movimentos de mercadorias entre
Estados. Esse processo ocorreria gradativamente, agregando medidas políticas e
econômicas de integração cada vez mais fortes.
Assim, Balassa entende que a integração deve ser
realizada por etapas onde cada uma supera a anterior em algum aspecto que
intensifica a interligação econômica e política entre os Estados membros. De
acordo com o autor, são cinco fases de evolução da integração: zona de livre
comércio, união aduaneira, mercado comum, união econômica e integração
econômica total.
1.
Zona de Livre Comércio
A Zona de Livre Comércio seria a forma mais simples de
integração econômica, apresentando apenas a supressão de restrições ao comércio
entre os Estados participantes, a eliminação de barreiras tarifárias e
não-tarifárias de forma a facilitar a circulação de bens e unificar as normas
de controle de qualidade e padronização dos produtos.
Mantém-se a autonomia dos Estados membros para definir
suas políticas tarifárias em relação a terceiros Estados. No entanto, Balassa
aponta que este fato pode gerar como problemas o desvio no comércio, na
produção e nos investimentos. O desvio no comércio ocorre quando um Estado
membro importa produtos de terceiros e estes contornam as barreiras aduaneiras
privilegiadas por acordos de integração. O desvio de produção ocorre quando são
utilizadas grandes quantidades de matérias-primas de países terceiros na
fabricação de um determinado produto que se beneficia das baixas taxas
alfandegárias, criando uma disparidade entre o custo de produção e os
privilégios aduaneiros. O desvio de investimento define-se pela transferência
de fundos de investidores estrangeiros para os países com baixas taxas.
No entanto, Balassa propõe soluções para estes
possíveis problemas. A regra de percentagem seria uma forma de garantir que um
percentual justo do material utilizado na fabricação de um produto é originário
da área, isentando-o assim de tributações. Este recurso, porém, enfrenta uma
série de empecilhos como a variação do percentual exigido de país para país, a
variação dos preços das matérias-primas no mercado mundial, tornando a
reclassificação das tarifas constante, além da falta de controle administrativo
e fiscalização dos processos de produção.
Outro método seria a regra dos processos de
transformação, de acordo com a qual haveria uma lista de diversos processos de
produção que esclarecesse os materiais utilizados e permitiria determinar a
origem do produto. No entanto, além dos problemas já citados, seria insensato
fazer uma padronização dos processos produtivos. Como última alternativa,
Balassa propõe a adoção de taxas compensatórias automáticas em relação ao
comércio no interior da área, que acaba não funcionando também, pois
desconsidera os desvios de produção.
2.
União Aduaneira
Além da eliminação de barreiras tarifárias, os países
membros de uma União Aduaneira adotam uma tarifa externa comum em relação a
terceiros países, o que acaba gerando uma harmonização de determinadas
políticas econômicas dentro do bloco. Este fato leva a uma perda da autonomia
dos Estados nas negociações extrabloco, que passam a ser determinadas em conjunto.
A tarifa externa comum é a solução para o problema anterior de determinação da
origem do produto pois permite a livre circulação de todos os bens dentro da
zona independentemente de sua procedência. Ocorre, assim, a introdução de um
poder central que coordena e mantém o equilíbrio das políticas econômicas do
bloco, uma medida positiva para a integração.
3.
Mercado Comum
Esta seria a etapa mais avançada de um processo de
integração, onde, além da livre circulação de mercadorias e da existência de
uma tarifa externa comum, introduz-se a livre circulação também dos fatores de
produção, definidos por trabalho, capitais, iniciativas empresariais, prestação
de serviços, entre outros. Também estabelece um sistema administrativo de
caráter permanente, necessário para coordenar a dinâmica mais complexa do
Mercado Comum, conduzindo a uma harmonização das condições de desenvolvimento
dos Estados membros.
4.
União Econômica
A União Econômica compreende todas as características
do Mercado comum e, além disso, prevê a harmonização das legislações nacionais
que tenham relação direta ou indireta com o sistema econômico. Demanda,
portanto, que as políticas econômicas, financeiras e monetárias dos Estados
membros sejam coordenadas por uma autoridade comum. A integração das políticas
econômicas nacionais dos países membros seria uma forma de eliminar as
assimetrias intra-bloco, transformando, por fim, vários mercados independentes
em um só.
5.
Integração Econômica Total
A Integração Econômica Total é a última etapa, onde o
processo de integração se apresenta em sua forma mais intensa. De acordo com
Balassa, “pressupõe a unificação das políticas monetárias, fiscais, sociais e anticíclicas,
e exige o estabelecimento de uma autoridade supranacional”. Desta forma, a
Integração Total pretende atingir não apenas o progresso econômico equilibrado,
mas também a desenvolvimento social conjunto dos países membros, de forma a
eliminar todos os tipos de barreiras e promover a livre movimentação de bens,
serviços e povos.
Os Blocos
Econômicos
O NAFTA (North America Free Trade Agreement) é uma área
de livre comércio que reúne os Estados Unidos, México e Canadá, além de ter
o Chile como membro associado e seu principal objetivo é facilitar a circulação
de mercadorias entre os países ao diminuir as barreiras comerciais entre estes.
O NAFTA é bastante criticado pelos mexicanos devido a disparidade de sua
economia com a dos EUA e suas criticas partem principalmente dos fazendeiros
mexicanos que afirmam que “o NAFTA tornava o México uma espécie de colônia
norte-americana”, ao fazer com que os fazendeiros mexicanos tabelem seus
preços, o que os fazem perder competitividade perante aos produtos agrícolas
dos EUA, que têm seus preços reduzidos devido aos subsídios do governo. A
crítica ao NAFTA da parte dos EUA é a de que este fez com que a taxa de
desemprego do país aumentasse devido a migração de diversas empresas para o
México devido ao baixo custo da mão de obra. Apesar das críticas e da falta de
consenso sobre o funcionamento do NAFTA o fluxo de mercadorias neste aumentou
em mais de 150% nos últimos dez anos e auxiliou o crescimento econômico do
México, além de garantir mercado consumidor aos produtos dos EUA e Canadá.
O MERCOSUL foi criado em 1991 com o Tratado de
Assunção assinado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai e este se
caracteriza por seu regionalismo aberto, ou seja, tem como objetivo o aumento
do comércio dos membros com terceiros, além do comércio entre os membros. O
grande debate atual sobre esta união aduaneira imperfeita é a
recente entrada da Venezuela no bloco e a saída do Paraguai deste, onde, o
processo de adesão da Venezuela já estava em andamento desde 2006, porém era
barrado pelo Paraguai. Após o impeachment de Fernando Lugo os países
componentes do bloco decretaram que o Paraguai violou a cláusula democrática do
bloco, ao oferecer pouco tempo para o ex-presidente se defender, o que levou a
sua suspensão do bloco e a consequente entrada da Venezuela neste. O grande
debate acerca desta situação se dá em até que ponto houve a suspensão do
Paraguai devido a violação da cláusula, ou devido ao interesse dos outros
países para a entrada da Venezuela, devido a grande quantidade de petróleo
existente no país, o que poderia beneficiar o bloco, aumentando seu poder
perante a comunidade internacional.
A CARICOM (Comunidade do Caribe) é um mercado comum
que engloba os países Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, Dominica,
Granada, Guiana, Haiti, Jamaica, Montserrat, Santa Lúcia, São Cristóvão e
Nevis, São Vicente e Granadinas, Suriname e Trinidad e Tobago. De acordo com o
presidente do Haiti, que ocupa a atual presidência do bloco, este tem o
objetivo de promover a cooperação econômica voltada para o desenvolvimento dos
países membros para que estes “alcancem as mudanças estruturais necessárias
para o progresso e bem-estar de nossos povos”. Diversas tentativas de
integração do bloco com o MERCOSUL vem sendo desenvolvidas como a XXVII Reunião
Ordinária do Conselho Mercado Comum em 2004 e a reunião técnica
MERCOSUL-CARICOM, ambas com objetivo de examinar e promover a aproximação dos
dois blocos.
A União Europeia é atualmente o maior exemplo de
integração de estados existente e é uma união econômica composta por 27
países. Atualmente a coesão do bloco vem sendo ameaçada pela crise econômica
dos países membros, onde as políticas macroeconômicas em comum de austeridade
fiscal e de cortes nos gastos públicos oferecidas como remédio à crise ameaçam
os países a entrar em uma recessão ainda maior, o que ameaça a coesão do bloco,
com a possível saída de alguns membros. Os casos mais críticos são os da Grécia
e Portugal, seguidos por Espanha e Itália. De acordo com Marcelo Curado, “enquanto
não existir uma solução definitiva, que considere as diferenças do euro para os
países, os impactos da moeda sobre cada país, a situação não vai melhorar. Para
os portugueses [por exemplo], o euro é muito caro”.
BALASSA, Bela. Teoria da integração Econômica. Tradução de Maria Filipa Gonçalves e Maria Elsa Ferreira. Lisboa: Clássica Editora, 1964.
COSTA, Gilberto. Crise econômica ameaça coesão na União Europeia, avalia sociólogo. disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-05-19/crise-economica-ameaca-coesao-na-uniao-europeia-avalia-sociologo. Acesso em: 10 de junho de 2013
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FERNANDES, Joel Aló. Integração Econômica Como Estratégia De Desenvolvimento Do Continente Africano: Proposta De Fusão Entre A Comunidade Econômica Dos Estados Da África Ocidental (Cedeao) E A União Econômica E Monetária Da África Ocidental (Uemoa). Florianópolis – SC, Universidade Federal de Santa Catarina, 2007.
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Parabéns pelo texto.
ResponderExcluirO tema da minha monografia é integração econômica e gostaria de comprar o livro do Balassa, teria alguma indicação online?
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